O discurso da estupidez

Mauro Mendes Dias
O discurso da estupidez, tanto quanto as vociferações que o acompanham vem apresentadas agora a partir de uma releitura da peça de Ionesco, O rinoceronte, tanto quanto de outras referências literárias. Fonte de inspiração para diferentes abordagens, iremos encontrá-las, como na capa, vindo galopantes em nossa direção, ajudando-nos a pensar nas vicissitudes do nosso tempo. Numa iniciativa inédita, a estupidez em nosso momento histórico antecipou o caráter de disseminação da morte que a pandemia posteriormente reafirmou em termos mundiais. Diferente de sua acepção como falta de inteligência, ela pode ser apreendida num discurso com leis e efetividade no inconsciente de cada um e na coletividade, servindo de causa a eles. Dessa forma pode-se apreender sua ligação com as vociferacões que ela promove, aproximando-nos do canto das sereias que destroem, pelo ódio como política, quaisquer particularidades. Condição que permite indicar a contribuição efetiva das crenças, pelas seitas, tanto quanto do retorno das baratas que ressurgem do texto de Kafka em pleno exercício de seus mandatos. Os tratamentos possíveis de tais manifestações se apresenta segundo uma urgência e rigor, exigindo deixar cair as respostas habituais, como primeiro passo para inclusão do fracasso na direção da reinvenção. Saiba mais

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O discurso da estupidez, tanto quanto as vociferações que o acompanham vem apresentadas agora a partir de uma releitura da peça de Ionesco, O rinoceronte, tanto quanto de outras referências literárias. Fonte de inspiração para diferentes abordagens, iremos encontrá-las, como na capa, vindo galopantes em nossa direção, ajudando-nos a pensar nas vicissitudes do nosso tempo.

Numa iniciativa inédita, a estupidez em nosso momento histórico antecipou o caráter de disseminação da morte que a pandemia posteriormente reafirmou em termos mundiais. Diferente de sua acepção como falta de inteligência, ela pode ser apreendida num discurso com leis e efetividade no inconsciente de cada um e na coletividade, servindo de causa a eles. Dessa forma pode-se apreender sua ligação com as vociferacões que ela promove, aproximando-nos do canto das sereias que destroem, pelo ódio como política, quaisquer particularidades. Condição que permite indicar a contribuição efetiva das crenças, pelas seitas, tanto quanto do retorno das baratas que ressurgem do texto de Kafka em pleno exercício de seus mandatos.

Os tratamentos possíveis de tais manifestações se apresenta segundo uma urgência e rigor, exigindo deixar cair as respostas habituais, como primeiro passo para inclusão do fracasso na direção da reinvenção.

Características

Autor: Mauro Mendes Dias
ISBN: 9786555190366
Editora: Iluminuras
Ano de publicação: 2020
Capa: Brochura
No de páginas: 96
Língua: Português (Brasil)
Dimensões: 21 x 14

Mais sobre o livro

O livro surgiu como efeito do trabalho de pesquisa que o autor vem realizando, há alguns anos, sobre a voz na psicanálise, levado adiante no Instituto  Vox de Pesquisa  em Psicanalise, do qual é diretor. A pesquisa o levou a autores que falam sobre a estupidez, na qual ele reconheceu uma nova modalidade de fascismo que se vale de meios antipolíticos para atingir propósitos, tendo o ódio como principal agente de destruição. “O discurso da estupidez vai contra qualquer avanço político, tocando a parte mais animal do homem. Encontra-se diretamente ligado à possibilidade de viver o ódio, seja a pessoa de direita ou de esquerda, para mudar a realidade a partir da destruição do que é instituído. O sentimento de ódio é a paixão mais primitiva que nos constitui como humanos”, acompanhando Freud, afirma o autor. O livro chega ao mercado em um momento propício. Sua abordagem está em consonância com o atual momento em que vivemos, quando os discursos se mostram inflamados e o ódio se manifesta de todas as formas. O mundo vive em quarentena sob a ameaça do coronavírus, o nosso país vive uma crise de ideias com posições antagônicas e, segundo o autor, “a privação é o maior provedor do ódio”. Esta publicação, como extensão do  trabalho sobre a voz, desenvolvido pelo psicanalista, avança sobre o que Mauro Mendes Dias nomeou como ‘vociferação’, em um sentido diferente do vocábulo em nossa língua, que designa gritaria, falar colericamente, aos brados. “Forjei esse conceito com o objetivo de mostrar como cada um de nós pode se tornar cativo de discursos, os quais introduzem como efeito a retirada de cena da voz própria”. O que ele nomeia como voz própria é o  efeito de uma dupla operação: “introduzir uma significação diferenciada ao discurso que se recebe, tanto quanto a realização de  ações que se comprometam com a verdade, em minha leitura com a presença da psicanálise”. O psicanalista argumenta que a verdade não é algo por inteiro, tampouco é  semelhante à crença. “A verdade é  sempre particular e, ao mesmo tempo, se mostra no laço  social, independentemente da classe”. O Discurso da Estupidez, diante disso, fala das vociferações como uma condição  que retira a voz própria, que mostra como um sujeito pode consentir a esse apelo. Daí, a  ligação que o livro aponta entre vociferação e “O Canto das Sereias”, quando, em Odisseia, de Homero, Ulisses tapa com cera os ouvidos de seus companheiros, mas não os seus próprios. O livro traz como novo, em relação ao que o psicanalista já havia elaborado sobre a voz, o fato de que as vociferações são efeitos do discurso da estupidez. Na publicação, o autor retoma a tradição de dois pensadores, o italiano Carlo M. Cipolla (1922-2000) e o austríaco Robert Musil (1880-1942), que escreveram sobre a estupidez, nomeando esse efeito de ‘discurso da estupidez’, onde as vociferações permitem que cada um viva o ódio em plena potência, de forma supostamente legítima. “Esses discursos revelam a vontade de conquistas sem mediação, sustentando as ações a partir de palavras de ordem e imperativos”, diz. Mauro escreveu sobre o funcionamento da estupidez, valendo-se da contribuição do psicanalista francês Jacques Lacan (1901-1981), na sua teoria dos discursos,  os quais procura explicar. Também considera como decisivo ter retomado a contribuição do cineasta e escritor italiano Pier Paolo Pasolini (1922-1975) e do romancista britânico Ian McEwan (1948), que trazem questões decisivas, cada um a seu modo, em suas obras. O autor ressalta que “a escrita do discurso da estupidez funciona para qualquer um – de direita, de esquerda, pobre, rico, ignorante,  inteligente -, para cada um que retira, a seu modo, as satisfações que busca, sempre zurrando”. Ele argumenta que esse discurso tem como objetivo o  fim do diálogo: “só  importam posicionamentos que defendam alguma causa, de preferencia inflamada, ou se deixando levar pela submissão ao consumo e as leis do mercado”, deixando os sujeitos suscetíveis ao comando da moda. Nesse ponto, o livro aborda a submissão ao consumo, dando uma tonalidade mais subjetiva à análise marxista (de Karl Marx), na qual “o ciclo de produção torna o proletário cativo indefinidamente, diante do apelo consumista retroalimentando a sua própria servidão”. Segundo o psicanalista, a ligação do livro com o século XXI torna sensível a predominância do mundo virtual com a ilusão patrocinada pelas indústrias de conexão tanto quanto do anonimato. “Antecedida pela ideia de mercado e consumo, a Internet não é sinônimo de relação, mas de conexão, onde o que importa, fundamentalmente, é o recobrimento de identidades, condição ideal para promoção da degradação e proliferação o ódio, a exemplo da disseminação das fake news”, comenta. Ao final, O Discurso da Estupidez traz uma proposta de tratamentos  possíveis, que não  têm caráter programático,  tampouco de solução definitiva. “São elaborações que teci a partir da minha experiência  clínica, pessoal e com meus analisantes. Trata-se de elaborações  que se mantêm em curso, indicadas no livro”, finaliza Mauro Mendes Dias. Jornal: Dia Dia

Sobre o autor

Mauro Mendes Dias - Cultura no DivãMauro Mendes Dias é psicanalista, diretor do Instituto Vox de Pesquisa em Psicanálise, SP, onde coordena a Oficina da voz, atividade aberta ao público e gratuita, e um grupo de pesquisa sobre mulheres, para membros e convidados. Realiza avaliação e orientação das condutas terapêuticas dos pacientes no Hospital São João de Deus, SP, tendo publicado alguns textos sobre essa experiência, em coletâneas e na Biblioteca do Instituto Vox. Divide com o psicanalista Luiz Eduardo de Vasconcelos, membro do Vox, a coordenação de uma atividade sobre psicanálise e política, voltada para o tema O que querem as identidades? Publicou por essa mesma editora, Por causa do pior, em parceria com Dominique Fingermann, e Os ódios, clínica e política do psicanalista. Tem publicado livros e artigos em psicanálise, assim como realizado seminários em diferentes instituições.

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