A Mulher que Morreu da Linguagem

Jéssica Paola
Hoje eu que vou acender as estrelas. Não adianta chorar, eu tomei banho de sidra e fumei o hálito da solidão. Por isso, quase rouca, deixo o bilhete. Anuncie no jornal: Pra hoje, espere um céu de estrelas bêbadas e um vento de cigarro. Você vai achar horrível, o céu não foi feito para se embebedar. As estrelas vão se tombar e, invejosas entre si: nenhuma delas vai conseguir desfilar sozinha pelo céu, fazendo o fenômeno de cadente. O vento vai rir delas, drogado, sem saber que deveria chorar. Mas isso é pra mais tarde, quando a manhã vier ele lembrará. A lua – a única imersa daquela festa, vai olhar pro sol apagado do outro lado e vai dizer: fizemos péssimos filhos! Na festa só toca um cd, e este é o seu favorito. Então você humanamente burro, mal imagina o caos do céu e olhando-o, comenta: Que lindo!  
*Este livro não poderá ser entregue em Portugal.
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Hoje eu que vou acender as estrelas. Não adianta chorar, eu tomei banho de sidra e fumei o hálito da solidão. Por isso, quase rouca, deixo o bilhete.
Anuncie no jornal: Pra hoje, espere um céu de estrelas bêbadas e um vento de cigarro. Você vai achar horrível, o céu não foi feito para se embebedar. As estrelas vão se tombar e, invejosas entre si: nenhuma delas vai conseguir desfilar sozinha pelo céu, fazendo o fenômeno de cadente. O vento vai rir delas, drogado, sem saber que deveria chorar. Mas isso é pra mais tarde, quando a manhã vier ele lembrará. A lua – a única imersa daquela festa, vai olhar pro sol apagado do outro lado e vai dizer: fizemos péssimos filhos!
Na festa só toca um cd, e este é o seu favorito.
Então você humanamente burro, mal imagina o caos do céu e olhando-o, comenta: Que lindo!

 

*Este livro não poderá ser entregue em Portugal.

Características

Autor: Jéssica Paola
ISBN: 978-989-774-010-7
Editora: Chiado Editora
Ano de publicação: 02/2018
Capa: Brochura
No de páginas: 90
Língua: Português
Dimensões: 21.6 x 14

Mais sobre o livro

Jéssica Paola

"Aquelas quatro flores presenteadas a nós do destino entre aqueles quatro dias.

O que, além das flores?

E se o que existe, pra quê ter, se além das flores nada seria capaz de decifrar o destino de florescerem a nós todas as manhãs uma pétala mais solta e outra mais justa na vida.

Para todos os efeitos da ciência, estávamos desfeitas de nós mesmas quando naquele mundo nos fizemos.

Feito nós: as flores são nossos nós de partida para qualquer coisa.

Morremos para o nosso mundo encantado,

nosso mundo agora era encantado

nosso agora, agora era um mundo

Morremos, e nosso céu era um jardim. "

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